A Probabilidade do Amor à Primeira Vista

a-probabilidade-estatistica-de-amor-a-primeira-vista-1

Nome: A Probabilidade do Amor à Primeira Vista Autor: Jennifer E. Smith Lançamento: 2013 ISBN 9788501095442 Páginas: 224 
Às vezes a gente tem um clic e percebe que tudo mudou. Por uma coincidência. Uma fatalidade. Ou algo trivial. Nada será como antes.  É exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. E quatro minutos podem MESMO mudar tudo...

Um livro para se emocionar, se apaixonar e pensar na vida. "A Probabilidade do Amor à Primeira Vista" me pegou de surpresa quanto à sua literatura. Em uma resenha, li que era um livro no estilo "Um Dia" do David Nicholls. E bem... eu não consegui passar do segundo capítulo do livro. Não to falando que "Um Dia" é ruim, mas que talvez não seja meu tipo de leitura ou que eu não estava em um bom momento para ler (ou por causa do spoiler maldito soltado por causa do filme - odeio spoilers!). Então eu já peguei o livro com desconfiança, achando que ele seria chatinho de ler. Ledo engano! Uma leitura leve, bem livro da Galera Record, o qual você termina de ler em no máximo dois dias. Porque você acaba largando "tudo" por causa de uma leitura que te prende. Enfim, esse é o "A Probabilidade do Amor à Primeira Vista" (eu levei mais de 50 tentativas para conseguir falar o nome do livro sem errar e sem gaguejar).

SPOILER


O livro fala sobre Hadley que se vê no meio de uma separação conturbada de seus pais. Seu pai foi para Londres dar aula na faculdade de Oxford (oportunidade única na vida dele) por um semestre. Porém ele não voltou para casa. Motivo? Encontrou um novo amor em Londres e vai se casar com ela. O enredo é sobre a reação de Hadley sobre essa "novidade" em sua família que não era mais a família que ela tanto gostava. Tudo começa quando Hadley se vê atrasada por quatro minutos e perde seu vôo para Londres para o casamento do pai com "a britânica", como ela chama a nova mulher dele. Apesar de insistir, ela tem que remarcar a passagem para o próximo vôo que sairia em 3 horas. Ela precisa esperar no aeroporto e isso não ajuda muito, pois ela sofre de claustrofobia. Consegue se sentar na sala de espera entre uma senhora e um homem. Portanto, ela resolve se levantar e pede para que a senhora cuide de sua mala. Ela nega e um moço diz que cuida dela. Depois de uma breve discussão com a senhora por causa da mala e deixar um estranho cuidado dela ("isso é crime"), ela resolve levar sua mala.
"No final da área de espera, o carpete sem cor termina e dá início ao chão de linóleo. A mala trava na junção de borracha que une os dois pisos e, depois, balança de uma roda para outra. Quando Hadley tenta estabilizá-la, o livro cai de novo. Ela se abaixa para pegá-lo, mas deixa o casaco de moletom cair. Só pode ser piada, pensa, soprando uma mecha de cabelo que está em seu rosto. Arruma tudo e estica a mão para pegar a mala, mas não acha a alça. Ela se vira e fica surpresa ao ver o garoto a seu lado. Ele está segurando a mala."

É nesse momento que os caminhos de Hadley se cruzam com o de Oliver de uma vez por todas. Ele insiste em carregar e fazer companhia para Hadley e ela percebe que ele não quer ser abandonado naquele momento. Concorda e eles acabam indo para um delicatessen e começam a conversar. Enquanto isso, é narrado algumas passagens do passado de Hadley, as coisas que ela passou desde a infância até aquele momento, como a primeira vez que ela descobriu que o pai tinha outra mulher, durante uma viagem a Aspen. Todo o livro possui esses tipos de passagens. A infância de Hadley com a família, quando o pai foi buscar as coisas dele na casa em que ela mora com mãe, quando o pai lhe deu um livro  ("Nosso Amigo em Comum") e sobre a briga que teve com a mãe pouco antes de entrar no aeroporto. A viagem de avião de 7 horas não é totalmente narrada, mas a Hadley acaba contando sobre ela no decorrer do livro. Mas Oliver a ajudou a superar a claustrofobia de aviões e eles acabam descobrindo que moram juntos e vão a um casamento em Londres. Mas não era bem um casamento no qual Oliver iria, mas ele mantém esse segredo consigo. Hadley consegue chegar a tempo para o casamento do pai e, finalmente, conhece a madrasta que ela já odiava desde que soube dela. Ela bem que tenta continuar não gostando de Charlotte, mas quando vê a noiva entrando na igreja, vê que, por mais que deseja, ela tem que admitir que a mulher é bonita. E que seu pai está feliz. Após o casamento, durante o cumprimento dos convidados aos noivos, Hadley ouve um homem falar que precisava ir embora, mas que estaria na festa, a qual começaria às 16h. O motivo da ausência era um funeral em Paddington. Exatamente onde seria o "casamento" que Oliver iria. Como se uma luz se acendesse na sua cabeça, ela percebe que ele não estava indo a um casamento, mas sim ao funeral de seu pai. A garota ainda participa das fotos tiradas com os noivos, mas sussura para seu pai que ela precisa ir a um lugar, mas não fala onde e nem para o quê. Acaba deixando o pai furioso. Começa então a jornada por Londres, onde ela pega o ônibus errado, depois demora para achar uma estação de trem e tem claustrofobia dentro do trem para Paddington. Dessa vez, seu problema com ambientes fechados é "curado" com o livro que seu pai deu a ela. Ao chegar a seu destino, ela fica aliviada ao ver um casamento na primeira igreja que encontra. Porém não era o casamento onde Oliver estaria, pois ela não vê o rapaz entre os convidados. Mas mesmo assim fica para apreciar uma cerimônia parecida com a qual acabou de participar. Acabado tudo, ela continua a procurar a verdadeira igreja e quando a encontra e vê o funeral acontecendo, começa a pensar se foi uma boa ideia ir atrás de Oliver. Ele se surpreende ao ver Hadley e ela pensa em ir embora quando ele pede para que ela fique. Eles se sentam em um banco, ela pede desculpas por não ter percebido no avião que ele estava indo ao enterro do pai e Oliver acaba desabafando tudo sobre o pai e sua vida. Eles ficam mais algum tempo juntos em silêncio e falando de outras coisas, quando a ex-namorada de Oliver o chama, pois o cortejo já está saindo. Ele vai embora sem se despedir de Hadley e ela fica arrasada com isso. Antes de ir embora, ela passa pela família de Oliver, coloca o livro que seu pai lhe deu em um capô de um carro qualquer e vai embora. Ao chegar ao Hotel em que acontecerá a festa de casamento do seu pai, espera achar o pai furioso, mas no fim ela percebe que era tudo preocupação da parte dele. Ao encontra-lo em seu quarto com Charlotte, ela não aguenta e começa a chorar. Seu pai apenas fala que ela precisa consultar o "Elefantinho" e eles vão ao dormitório conversar. Então Hadley, durante essa conversa e até mesmo durante a dança que Charlotte pediu que fizesse com o pai, desabafa sobre tudo, inclusive Oliver e o medo de perder o pai para o "novo bebê". Seu pai a acalma, diz que no momento não tem nenhum bebê a caminho e que deseja que ela vá visitá-lo nas férias. A garota então acaba "confessando" que está feliz pelo pai (de verdade) e que Charlotte não é tão má quanto ela vinha pensando.
— É aquela velha história — disse o pai —, se você ama alguém, deixe que se vá. — E se não voltar? — Alguns voltam, outros não — respondeu e apertou o nariz da filha. — Eu sempre vou voltar. — Mas você não tem luz — explicou. O pai sorriu. — Quando estou com você, tenho sim.

Com tudo acertado, inclusive a vontade real de visitar o pai, ela vai dar uma volta para tomar um ar e se senta em um banco na frente do hotel. É quando se surpreende com a presença de Oliver. Ele pede desculpas a ela pelo o que aconteceu no funeral de seu pai e como estava sua casa quando ele voltou: que seu quarto tinha virado quarto de hóspedes quando ele saiu de casa, mas que a luz noturna que seu pai tinha colocado quando ele era pequeno e tinha medo de escuro, continuava no mesmo lugar. Hadley então diz que eles só precisaram de mais tempo para poderem se acertar de todos os erros que foram cometidos durante a vida. Enfim, Oliver a tira para dançar e eles se beijam pela terceira vez. Mas essa foi diferente, pois as duas primeiras vezes tinham gosto de despedida, mas essa, ela sabia, era um beijo de um novo começo. Durante a dança começa a chover e eles entram no salão. É quando seu pai o conhece. Ele continuam a dançar e ele finalmente revela a ela o que está estudando:
- O que você estuda de verdade? Ele se afasta e olha pra ela. - A probabilidade estatística do amor à primeira vista

E assim termina um livro maravilhoso que ensina vários valores da vida que muitas vezes passam despercebidas no dia-a-dia por causa da correria, estresse, etc. Ele nos ensina que, primeiro, sempre que você tiver problemas, saiba que pode ter gente passando por algo pior que você. No caso da Hadley, ela estava brava com o pai por motivo do casamento dele, enquanto que Oliver, também magoado com o pai, estava indo ao seu funeral. Ou seja, ela tinha chances de se acertar com o pai e ele não. Também nos ensina que nós julgamos as pessoas sem nem ao menos conhece-las e, por mais que pareça que a vida tá dando errada, no fim tudo dá certo. Mesmo que não seja o "certo" que nós queremos. Logo no primeiro trecho citado do livro, eu já me identifiquei com a protagonista (desastrada no nível hard), mas no decorrer do livro, parecia que o livro tinha sido escrito para mim. Não nas situações em que foram narradas, mas nessa coisa de "tudo fica bem no final das contas". Só quem passou por problemas familiares, de amizade e romance sabe como é pensar "e agora? Como vai ser da minha vida" e se sentir completamente pedido. Da mesma forma que sabe que no fim, tudo vai se encaixar e que "foi melhor assim". É o famoso clichê que dá certo: "dê tempo ao tempo".

Comentários