Os 13 Porquês - Jay Asher

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Antes de qualquer coisa, essa resenha do "Os 13 Porquês" vai ser do livro e da série, a qual terminei somente agora (10 de abril de 2017, às 1h30 da manhã) depois de 2 dias de maratona. Obrigada pelo fim de semana, Netflix!
Mas o livro eu li um pouco antes da série estreiar. Sim, li para comparar ambos.
Então vamos lá.

Nome: Os 13 Porquês
Autor: Jay Asher
Lançamento: 2009
ISBN 9788508126651
Páginas: 256
Edição: Português


Sinopse
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=JebwYGn5Z3E&w=560&h=315]

Acredito que depois da série maravilhosa da Netflix, não preciso introduzir muito do livro. Mas vou contar um spoiler: Clay Jensen ouviu as fitas em uma só noite.

Já tinha ouvido falar do livro, mas não sabia a história dele. Vi muitas quotes, ele na lista dos mais vendidos (isso quando foi lançado). Mas na época eu não me interessei por ele. Acho que estava em outra "vibe literária", mas ele sempre me encucou e ficou eternamente na famosa "Lista De Livros Para Ler". Até que a Netflix anunciou a série e acho que já estava mais preparada para essa leitura bem mais séria do que os livros que costumo ler. No livro, Clay recebe as treze fitas e vai acompanhando todas as estrelas do mapa da Hannah, incluindo a lanchonete "Rosie's". E ele não é o mesmo cara "bad guy" que acua os "outros porquês". Ele simplesmente vai surtando sozinho durante o livro todo. A narrativa é misturada com o monólogo da Hannah e os pensamentos e ações do Clay.

Já na série, achei que a Netflix foi bem fiel ao livro, mesmo modificando muita coisa. Mudanças para melhor, claro. No livro, só temos a visão da Hannah do que aconteceu na vida dela e os pensamentos do Clay. Já na série, vemos a história através de todos os outros personagens, incluíndo os pais dela, os quais, no livro, era apenas ausentes. Também podemos perceber que alguns dos porquês não foram bem como a Hannah descreveu, como o fato do Zack ter jogado o bilhete dela fora. Sobre a Jess? Nunca saberemos quem parou de ir no Monet's. Porém, outras coisas realmente aconteceram. Uma fofoca para aumentar o ego de um cara (ou aquela outra coisa), boatos de escola, achar que uma garota é "fácil" e estupro de um cara que acha que todas as garotas da escola querem sair com ele. Por fim, estão especulando uma segunda temporada. Confesso que quero saber o que houve com o Alex, com o Bryce, com os pais da Hannah, etc. Mas assim como o livro, terminar em aberto o fim, meio que nos deixar pensar mais nas consequências. Já li muitos livros que terminou "sem fim", e sim, fiquei muito puta da vida, mas acabei me acostumando. Até porque nem tudo tem final feliz ou até mesmo um fim. Apenas os três pontinhos de reticência.

Sempre houve bullying nas escolas, no trabalho, na vida. Alguns saíram mais fortes do bullying sofrido, outros podem ou não nunca terem sofrido e tem aqueles que nunca se recuperaram. E antes também não havia internet para espalhar facilmente os boatos/fofoca/bullying/etc. Atualmente, além do bullying presencial, há o cyber bullying, o que, pra mim, é infinitamente pior que qualquer coisa envolvendo boatos/fofocas. Simplesmente porque na internet a pessoa pode xingar, humilhar e divulgar fotos intimas das pessoas anonimamente e sair livre. Mas não irei mais adiante sobre como as pessoas podem ser babacas.

Os 13 porquês da Hannah não são besteiras, ela não queria chamar a atenção, ela não pediu por nada daquilo que aconteceu com ela. Porém na série, graças a Deus, pudemos ver que não só a Hannah tinha uma "vida de merda". Justin Foley, tinha problemas em casa. Alex, tinha problemas com o pai. Courtney no livro era "legal com todo mundo", como Hannah citou em uma das fitas, mas na série ela tinha medo de se assumir. Bryce era filho da puta mesmo. O que eu quero dizer: todos tem problemas e ninguém sabe o que se passa na vida, na mente, no coração de ninguém. Todo mundo pode achar que sabe, mas não sabem. Nem pai, nem mãe, nem ninguém.

Problemas mentais são sérios e não frescuras. Não só depressão, mas também ansiedade, ataque de pânico, fobias (incluindo fobia social), TOC, transtorno bipolar ou algum transtorno alimentar (anorexia, bulimia). E postar em rede social coisas como uma corrente que apareceu no facebook há algum tempo, com as pessoas falando que "estavam ali para quem estava depressivo", não vai ajudar em nada. Ou alguém já ouviu alguém falar que vomita após comer (bulimia) ou que se sente vazio, como Hannah falou para o conselheiro da escola? Ninguém revela os segredos mais profundos. Principalmente se a pessoa acha que ninguém se importa. E não adianta falar "mas eu me importo" ou "muita gente se importa com você", porque, como disse antes: ninguém sabe o que se passa na mente de uma pessoa. Se ela achar que ninguém se importa com ela, não é falando isso que vai melhorar. O que melhora são atitudes, ações, não palavras. Quer mostrar que se importa com alguém? Faça algo! Não precisa ser grande coisa. Um "como foi seu dia?" já basta. Mesmo que a pessoa em questão não tenha feito nada de interessante, ela pode ficar melhor/feliz/bem só de você perguntar.

Outra coisa que eu vi muito nas redes sociais depois da série foi "Não Seja Um Porquê". Desculpa o spoiler, mas todos já foram/são/serão vários porquês de muita gente. Um exemplo simples: política. Nos últimos 3 anos, o discurso de ódio aumentou consideravelmente a ponto de uma discussão não ter argumento nenhum, apenas xingamentos ou humilhações (apesar que ainda acho que "coxinha" deveria ser elogio). Posso ficar citando vários exemplos, mas não vou me alongar, porque estamos falando dos 13 Porquês e não da podridão que estão os seres humanos.

Por fim, coloquem a mão na consciência antes de julgar alguém. Vou ser chata e repetir pela terceira vez: ninguém sabe o que acontece na vida e na mente de outra pessoa.

Façam uma coisa bem simples: se coloquem no lugar dela. Quando houver os "dois lados da moeda", tentem ouvir ambos e não apenas um. Como vimos com o Zach, que ele não tinha jogado o bilhete no lixo, havia guardado. Nem precisa citar a Hannah, né? Sempre haverá várias versões da mesma história. Busque saber de todas antes de ter alguma opinião. Porque no fim, você pode saber o que realmente aconteceu, apenas juntando as peças.

E tentem não se tornarem um dos "porquês" de alguém. Há muitos "porquês" que nem envolvem o bullying, mas o que acontece na vida. E não esperem receber algum áudio de alguém se despedindo. Tentem perceber mais as pessoas ao seu redor. Sejam melhores para si e para o próximo.

Trilha sonora da série:

https://open.spotify.com/album/2OicPkzxga0ybQIdl3kvaa

Quotes
"Como se estivesse dirigindo por uma estrada acidentada e perdendo o controle do volante, sendo jogada - só um pouquinho - para fora da pista. As rodas levantam poeira, mas você consegue puxar o carro de volta. Mesmo assim, não importa que você esteja segurando bem firme no volante, não importa o quanto você esteja se esforçando para tentar guiar em linha reta, algo fica empurrando você para o lado. Você já não tem quase mais nenhum controle sobre nada. E, a certa altura, a luta se torna excessiva - cansativa demais - e você considera a possibilidade de largar tudo. Deixar uma tragédia acontecer. Ou seja lá o que for."

"Pode parecer que, toda vez que alguém lhe dá a mão para você levantar, a pessoa larga e você escorrega mais para o fundo. Mas você tem que parar de ser pessimista, Hannah, e aprender a confiar nas pessoas à sua volta"

"Eles queriam nos ensinar o significado de X em relação a Y em vez de nos ensinar melhor a nos ajudar, a entender melhor a nós mesmo e aos outros. Queriam nos ensinar quando a Carta Magna foi assinada - não importa o que seja isso -, em vez de discutir o controle de natalidade."

"O problema é que não ficamos sabendo o que realmente sentem as pessoas com as quais convivemos".

"Se você escuta uma canção que te faz chorar quando já está cansado de lágrimas, não a escuta mais. Mas não dá para fugir de si mesmo. Não dá para tomar uma decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá para tomar uma decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça."

"Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam uma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga parte da vida de alguém, estraga a vida toda dessa pessoa".

"Tudo que a gente realmente possui é o agora"

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