Inventei você? - Francesca Zappia

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Nome: Inventei você?
Autor: Francesca Zappia
Lançamento: 2017
ISBN 9788580416589
Páginas: 346
Edição: Português

Sinopse
Alex está no último ano do ensino médio e trava uma batalha diária para diferenciar realidade de ilusão. Armada com uma atitude implacável, sua máquina fotográfica, uma Bola 8 Mágica e sua única aliada — a irmã mais nova —, ela declara guerra contra sua esquizofrenia, determinada a permanecer sã o suficiente para entrar na faculdade.
E Alex está bem otimista com suas chances, até se deparar com Miles. Será mesmo aquele garoto de olhos azuis com quem ela compartilhou um momento marcante no passado? Mas ele não tinha sido produto da sua imaginação?
Antes que possa perceber, Alex está fazendo amigos, indo a festas, se apaixonando e experimentando todos os ritos de passagem tipicamente adolescentes. O problema é que ela não está preparada para ser normal.
Engraçado, provocativo e emocionante, com sua protagonista nada confiável, Inventei você? vai fazer os leitores virarem as páginas alucinadamente, tentando decifrar o que é real e o que é invenção de Alex.

A história de Alex mostra uma pequena parte sobre a esquizofrenia, uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou início da idade adulta. Ela atinge em igual proporção homens e mulheres e em geral inicia-se mais cedo no homem, por volta dos 20-25 anos de idade, e na mulher, por volta dos 25-30 anos.

Alex tem dificuldades de saber se o que elas está vendo é real ou uma alucinação por causa da sua doença. Quando ela tinha sete anos, elas estava em frente a um tanque de lagostas e achou que seria um ato de caridade se ela libertasse os animais. Um garoto, que ela chama de “Olhos Azuis”, encontra Alex tentando pegar uma das lagostas e a levanta para poder alcançá-la. Porém, a mãe dela a encontra pendurada no tanque e Alex disse que um garoto a ajudou a liberar as lagostas. Mas não há nenhum garoto por perto. Foi quando, algum tempo depois, ela foi diagnosticada com esquizofrenia.

Quando ela se muda para o novo colégio (um “acidente” a fez ser expulsa do antigo), ela conhece Miles, o garoto esquisito que faz “trabalhos” para os alunos da East Shoal. O garoto lembra muito os “Olhos Azuis”, mas ela ainda acredita que ele era apenas uma alucinação. Conforme a história se desenrola, nos deparamos com mitos da cidade de Hannibal’s Rest e da East Shoal, além da irmã mais nova de Alex, Charlie.

Será que o que Alex vê é real ou uma alucinação? Descobrimos que alguns mitos são reais e outros fatos eram apenas a alucinação de Alex. O que mais me surpreendeu (e entristeceu) foi saber que o que mantinha Alex segura de que poderia conviver normalmente com as outras pessoas, sem que elas soubessem da sua doença, era uma das suas alucinações. Ela descobre em Miles uma pessoa que pode ajudá-la a distinguir o que é real ou não.

O livro apresenta apenas um dos sintomas da doença, então vou aproveitar essa resenha e passar alguns dados sobre a esquizofrenia:

Quais os sintomas? 

A esquizofrenia apresenta várias manifestações, afetando diversas áreas do funcionamento psíquico.  Os principais sintomas são:


1. delírios: são idéias falsas, das quais o paciente tem convicção absoluta. Por exemplo, ele se acha perseguido ou observado por câmeras escondidas, acredita que os vizinhos ou as pessoas que passam na rua querem lhe fazer mal.


2. alucinações: são percepções falsas dos órgãos dos sentidos. As alucinações mais comuns na esquizofrenia são as auditivas, em forma de vozes. O paciente ouve vozes que falam sobre ele, ou que acompanham suas atividades com comentários. Muitas vezes essas vozes dão ordens de como agir em determinada circunstancia. Outras formas de alucinação, como visuais, táteis ou olfativas podem ocorrer também na esquizofrenia.


3. alterações do pensamento: as idéias podem se tornar confusas, desorganizadas ou desconexas, tornando o discurso do paciente difícil de compreender. Muitas vezes o paciente tem a convicção de que seus pensamentos podem ser lidos por outras pessoas, ou que pensamentos são roubados de sua mente ou inseridos nela.


4. alterações da afetividade: muitos pacientes tem uma perda da capacidade de reagir emocionalmente às circunstancias, ficando indiferente e sem expressão afetiva. Outras vezes o paciente apresenta reações afetivas que são incongruentes, inadequadas em relação ao contexto em que se encontra. Torna-se pueril e se comporta de modo excêntrico ou indiferente ao ambiente que o cerca.


5. diminuição da motivação: o paciente perde a vontade, fica desanimado e apático, não sendo mais capaz de enfrentar as tarefas do dia a dia. Quase não conversa, fica isolado e retraído socialmente.


Outros sintomas, como dificuldade de concentração, alterações da motricidade, desconfiança excessiva, indiferença, podem aparecer na esquizofrenia. Dependendo da maneira como os sintomas se agrupam, é possível caracterizar os diferentes subtipos da doença. A esquizofrenia evolui geralmente em episódios agudos onde aparecem os vários sintomas acima descritos, principalmente delírios e alucinações, intercalados por períodos de remissão, com poucos sintomas manifestos.


Qual é a causa da esquizofrenia?


Não se sabe quais são as causas da esquizofrenia. A hereditariedade tem uma importância relativa, sabe-se que parentes de primeiro grau de um esquizofrênico tem chance maior de desenvolver a doença do que as pessoas em geral. Por outro lado, não se sabe o modo de transmissão genética da esquizofrenia. Fatores ambientais (p. ex., complicações da gravidez e do parto, infecções, entre outros) que possam alterar o desenvolvimento do sistema nervoso no período de gestação parecem ter importância na doença. Estudos feitos com métodos modernos de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética mostram que alguns pacientes tem pequenas alterações cerebrais, com diminuição discreta do tamanho de algumas áreas do cérebro. Alterações bioquímicas dos neurotransmissores cerebrais, particularmente da dopamina, parecem estar implicados na doença.


Como se diagnostica a esquizofrenia?


O diagnóstico da esquizofrenia é feito pelo especialista a partir das manifestações da doença. Não há nenhum tipo de exame de laboratório (exame de sangue, raio X, tomografia, eletroencefalograma etc.) que permita confirmar o diagnóstico da doença. Muitas vezes o clínico solicita exames, mas estes servem apenas para excluir outras doenças que podem apresentar manifestações semelhantes à esquizofrenia.


Como se trata a esquizofrenia?


O tratamento da esquizofrenia visa ao controle dos sintomas e a reintegração do paciente. O tratamento da esquizofrenia requer duas abordagens: medicamentosa e psicossocial. O tratamento medicamentoso é feito com remédios chamados antipsicóticos ou neurolépticos. Eles são utilizados na fase aguda da doença para aliviar os sintomas psicóticos, e também nos períodos entre as crises, para prevenir novas recaídas. A maioria dos pacientes precisa utilizar a medicação ininterruptamente para não ter novas crises. Assim o paciente deve submeter-se a avaliações médicas periódicas; o médico procura manter a medicação na menor dose possível para evitar recaídas e evitar eventuais efeitos colaterais. As abordagens psicossociais são necessárias para promover a reintegração do paciente à família e à sociedade. Devido ao fato de que alguns sintomas (principalmente apatia, desinteresse, isolamento social e outros) podem persistir mesmo após as crises, é necessário um planejamento individualizado de reabilitação do paciente. Os pacientes necessitam em geral de psicoterapia, terapia ocupacional, e outros procedimentos que visem ajudá-lo a lidar com mais facilidade com as dificuldades do dia a dia.


Como os familiares podem colaborar com o paciente?


Os familiares são aliados importantíssimos no tratamento e na reintegração do paciente. é importante que estejam orientados quanto à doença esquizofrenia para que possam compreender os sintomas e as atitudes do paciente, evitando interpretações errôneas. As atitudes inadequadas dos familiares podem muitas vezes colaborar para a piora clínica do mesmo. O impacto inicial da noticia de que alguém da família tem esquizofrenia é bastante doloroso. Como a esquizofrenia é uma doença pouco conhecida e sujeita a muita desinformação as pessoas se sentem perplexas e confusas. Freqüentemente, diante das atitudes excêntricas dos pacientes, os familiares reagem também com atitudes inadequadas, perpetuando um circulo vicioso difícil de ser rompido. Atitudes hostis, criticas e superproteção prejudicam o paciente, apoio e compreensão são necessários para que ele possa ter uma vida independente e conviva satisfatoriamente com a doença.”


Fonte: Prof. Dr. Mario Rodrigues Louzã Neto, através do site Saúde Mental.

Quotes
Às vezes eu acho que as pessoas tomam a realidade como garantida.”

Acreditar que existia algo e depois descobrir que não, era como chegar ao topo da escada e pensar que havia mais um degrau”

“A inteligência não é medida pelo quanto você sabe, mas pelo quanto você tem a capacidade de aprender.”

“O que você amou quando criança, você vai amar para sempre”.

“‘Se nada é real, então, o que importa?’, ele disse. ‘Você vive aqui. Isso não é real o suficiente?'”

“‘Ele se lembra de você’, disse June, e meu estômago deu se apertou de um jeito esquisito.
‘Lembra de mim?’
‘A menina que queria libertar as lagostas. Esse foi o dia em que fomos embora para a Alemanha. Eu estava comprando algumas coisas de último minuto, e ele quis falar com você. Ele gostou do seu cabelo’.”

“Dizem que adolescentes  pensam ser imortais, e eu concordo. Mas acho que existe uma diferença entre pensar que é imortal e saber que pode sobreviver. Pensar que é imortal leva à arrogância, a pensar que você merece o melhor. Sobreviver significa ter o pior jogado na sua cara e, ainda assim, ser capaz de seguir em frente. Significa se esforçar pelo o que você mais quer, mesmo quando parece fora do seu alcance, mesmo quando tudo está trabalhando contra você. E aí, depois de ter sobrevivido, você supera. E vive.”

“‘Você faz isso sempre?
‘Não’, respondi. ‘Só hoje’.
(…)
‘Você tem cheiro de limão’.”

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