Internment - Samira Ahmed

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Nome: Internment
Autor: Samira Ahmed
Lançamento: 2019
ISBN 9780349003344

Páginas: 386
Edição: Inglês 

Sinopse


"Rebeliões são construídas sobre a esperança.

Situada em um horrível futuro próximo nos Estados Unidos, Layla Amin, de 17 anos, e seus pais são forçados a entrar em um campo de concentração para cidadãos americanos muçulmanos.

Com a ajuda de amigos recém-criados, também presos no campo de concentração, seu namorado do lado de fora e uma aliança inesperada, Layla começa uma jornada para lutar pela liberdade, liderando uma revolução contra o diretor do campo de concentração e seus guardas.

Comovente e emocional, Internment desafia os leitores a combater o silêncio cúmplice que existe em nossa sociedade hoje."

Internment é um dos livros mais potentes e realistas que eu já li na vida. Ele trata do preconceito que existe com os a religião do Islamismo e com os Muçulmanos. Como todos sabem, logo que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi eleito, ele baniu a entrada de pessoas de diversos países que tinham como religião principal o Islamismo, pois, para ele "todo muçulmano é terrorista" (não só ele, como para muitas outras pessoas que possuem esse pensamento infundado).

O livro é um futuro distópico onde os cidadãos americanos começam a queimar livros (uma referência ao livro Fahrenheit 451) e onde os muçulmanos são perseguidos (uma referência ao Holocausto, quando os Judeus foram perseguidos por Hitler e seus seguidores por causa da sua religião). A história se passa dois anos e meio depois das eleições Americanas.
"I don't measure time by the old calendar anymore; I don't look at the date. There is only Then and Now. There is only what we once were and what we become."

Samira Ahmed cita alguns fatos reais, como a marcha dos supremacistas brancos na cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia. Sobre o veto aos cidadãos muçulmanos E também sobre os campos de concentração japonês que existiram nos EUA (algo que eu não conhecia - obrigada Samira Ahmed por essa informação histórica que eu não fui informada nas minhas aulas de história).

Ao longo do texto e das quotes, eu adicionei links sobre os fatos que estão neste livro. Fiquem à vontade de lerem sobre eles.




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A história começa com Layla contando como seu pai perdeu o emprego de professor universitário, a perda de clientes da sua mãe e como ela não podia mais frequentar sua escola, por eles muçulmanos. Em uma noite em que ela desobedece o toque de recolher para visitar seu namorado, David, está ocorrendo uma queima de livros na cidade onde ela mora, no qual os livros de seu pai também estão sendo queimados. Ao chegar em casa, mais tarde naquela noite, oficiais do governo americano batem em sua casa. Layla acha que foi culpa dela por ter desobedecido o toque de recolher, mas na verdade foi por causa de um dos poemas em um livro do seu pai.




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By Alin Amin

Speak to me with your tongue while it is still free,
while your body is still yours.


Let your words travel through the air,
uncontrolled
spontaneous
necessary
tumbling through clouds of dust that dim the sun.


Until they reach my ear
and so many ears, spilled onto the table
waiting.

Speak the truth while it still alive, while lips, cracked and
bleeding, can still move.

Time is beholden to neither lover nor tyrant.

Say what you must.
I will listen.

Os oficiais ordenam que eles façam apenas uma mala com os seus pertences que eles seriam levados para outro lugar. Seus celulares são tomados e a família de Layla é levada para uma estação de trem em Los Angeles. Neste lugar estão outras famílias também muçulmanas, onde cada pessoa passa por uma triagem e tem o interior seu pulso estampado com um número em uma tinta que só pode ser vista através de uma luz ultravioleta. Eles são levados a um trem com destino a um lugar onde ninguém sabe.

É nesse trem que ela conhece o Soldado Reynolds em um momento em que ela resolve explorar o trem e acaba entrando no vagão onde estão os soldados da Exclusion Guard e sua nova amiga, Ayesha. Ao saírem do trem na cidade de Independence, California, todos os muçulmanos são colocados em um ônibus.
Independence, California. The town where we disembark for Internment is called Independence. I balk at the irony of the name.

Durante o caminho para o Campo de Concentração Mobius, eles passam por Manazar, um dos dez campos de concentração, onde mais de 110.000 norte-americanos nikkei foram encarcerados durante a Segunda Guerra Mundial.

Os pais de Layla pedem para que ela sempre obedeça as ordens dos soldados da Exclusion Guard e não use seu tom sarcástico com eles. Mas ela não aceita, apesar de saber que é para que eles não sejam punidos. Ao chegarem ao Mobius, Layla percebe que há muçulmanos de várias descendências e que, os trailers em que eles irão morar, são separados por essas descendências, arábicas, persas, egípcias... O Diretor do Centro de Contração explica que essa separação é para que cada nacionalidade "se sinta mais confortável" com o lugar.

Os trailers são monitorados com câmeras de segurança internas, menos nos quartos e no banheiro. Layla e sua família precisam atuar em frente às câmeras para que não sejam punidos. O banho é monitorado e dura cinco minutos até o chuveiro ser desligado. Dentro de cada trailer há um dispositivo para que cada pessoa ouça e veja as ordens do Diretor do Mobius e informações gerais. Há horários fixo para alimentação e toque de recolher. Cada pessoa terá um trabalho no lugar e que eles poderão se organizar para dar aulas para as crianças e jovens.

No primeiro dia, durante a apresentação do Diretor sobre como o Mobius funciona, uma mulher começa a gritar.
"Traitors! Fascists!" A woman with her light-brown hair pulled back into a tight ponytail stands in the middle of the auditorium and shouts at the minders onstage. A wave of murmurs pulses through the crown, and some people at the back join her spontaneous protest. "Traitors!"
(...)
As he speaks, two Exclusions Guards drag her to the aisle. The first guard pulls out handcuffs. The woman spits in the face of the second guard, who responds with a slap so hard that she falls to the floor"

Layla não vai aceitar esse tipo de tratamento a base do medo. Ela quer uma forma de sair do Campo de Concentração para avisar as pessoas de fora o que está acontecendo. Eles estão sendo monitorados com drones, guardas, câmeras. Eles precisam obedecer as ordens ou serão punidos.

Quando algumas pessoas começam a desaparecer por começarem a questionar, Layla consegue entrar em contato com seu namorado e pede ajudar a ele, cujo o pai trabalha para o governo americano. Com a negativa, ela, Ayesha e Soheil, um garoto que ela conhece dentro do Mobius e que também estava pronto para resistir, começam a planejar formas de protestar, mesmo sabendo que serão punidos. Com ajuda do Soldado Reynolds, Layla começa a escrever sobre os acontecimentos dentro do Campo de Concentração, sobre os sumiço de pessoas depois de baterem de frente com soldados e com o Diretor através de David, o qual consegue entrar no local com a ajuda de Reynolds.

Quando tudo se torna público, a população do lado de forma começa a realizar protestos e o Diretor quer saber quem é o traidor que está passando essas informações. Quando o casal é descoberto, e Layla começa a ser punida pelo Diretor, David faz uma live através do Instagram. As coisas começam a mudar para pior dentro do Mobius.

Samira Ahmed nos ensina como resistir a um governo autoritário, a não ter medo e a usar nossas vozes e ações para impedir que esses governos impeçam a liberdade do povo. E mostra como as coisas podem mudar e como o futuro pode repetir o passado.

Um livro que todos deveriam ler para espantar esse preconceito com os muçulmanos, árabes e outras religiões. Para que as pessoas tenham mais compaixão pelo próximo e se unem contra o abuso do governo sobre os cidadãos.

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Samira Ahmed é jornalista, escritora e radialista britânica da BBC, onde apresentou Night Waves da Radio 3 e PM da Radio 4, The World Tonight, Sunday e Front Row e apresentou os bailes da BBC Four. Seus textos foram publicados no The Guardian, The Independent e no Arts Blog da revista The Spectator.

Também é uma das autoras que dão voz aos problemas sociais que estamos passando atualmente. Infelizmente esse livro ainda não foi publicado no Brasil, mas vocês podem comprar na Amazon nos formatos físico e e-book.


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"One month since the president of the United States gave a televised speech to Congress declaring that 'Muslims are threat to America"

"We are Muslims. We are American. And will continue to live our lives knowing that those two identities aren't mutually exclusive"

"We will not deny who we are. We won't lie about being Muslims. Muslims have been in America since the first slaves were brought here. Can you even imagine what they went through to hold on to Islam? What they endured?"

"But look what happened to Nabra and those Muslim students at Chape Hill, and those Muslim students at Chapel Hill, and that seventy-year-old New Yoker who was almost beaten to death after two guys asked if he was Muslim. And those mosques that were burned down in Texas and Seattle? Remember those "Punish a Muslim Day" flyers that mysterious started showing up around Chicago and Detroit? Don't you think we should've protected ourselves then? Now look at us. I feel like we can't even breathe".

"They both, in their own ways, so desperately want to see the good in people and the world"

"The thing is, it's not like half this country suddenly became Islamophobes because of any sign event. But the lies, the rhetoric calling refugees rapists and criminals, the fake news, the false statistics, all gave those well-meaning people who say they're not bigots cover to vote for a man who openly tweeted his hatred of us on a nearly daily basis."

"We're all small, scared, helpless animals, our legs caught in the teeth of a steel trap. I understand; this has nothing to do with me. How stupid am I? This isn't about me breaking curfew. It's about something far, far worse."

"Somehow, seeing soldiers with giant guns strapped across their chests always makes me feel more scared and less safe. Maybe scaring people with nothing to hold on."

"I don't suppose any of us know what to call the experience yet. Like World War I wasn't called that when people were fighting it. How could it have been, when they didn't know what would come after? Anyway, probably no one is thinking about an appropriately weight yet catchy phrase to call our quagmire right now. We're all to busy looking away and trying to believe it's a collective nightmare we will eventually wake up from. I guess it's pretty bad when a nightmare feels like a privilege".

"Those kids, that baby - they have no ideia what they are about to lose. I guess I don't, either. Who even knows what's happening, exactly, except that we were taken from our homes, and now we're about to board a train to... somewhere."

"'Sir, the internees were given clear orders, and so were we'
'There are bathrooms on this car for a reason. We can't expect all of them stop having bodily functions, can we?"

"We're not calm like we're meditating. We're keeping our cool so we don't get shot. Understand?"
"They can't not going to shoot us. We're American citizens. They can't."
"Our government is jailing us because of our faith"

"The guard passes a UV light over my arm and a small fluorescent barcode appears at the base of my hand, a number unique to me, 0000105. It doesn't hurt when he scans me, but I still feel like I've branded."

"There are also Muslims here who could pass as white - probably of Arab or Persian descent; white, but without all the privilege".

"Just like in the train station, every person with a gun is white, and not white like maybe they're Bosnians - the kind of white that thinks internment camps are going to make America great again."

"When you're a kid, you think your parents are invincible and all-knowing, and then you start to grow up and realize that they're simply flawed human being trying to make their way in the world the best they can."

"What's that thing people always say about history? Unless we know our history, we're doomed to repeat it. Never forget? Isn't that the lesson? But we always forget. Forgetting is the American grain."

"Thoughts and prayers. God, all the times I've heard politicians utter this words.
Aurora.
Orlando.
Las Vegas.
Sandy Hook.
Umpqua.
Virginia Tech.
San Bernadino.
Sutherland Springs.
Parkland.
Santa Fe.
I don't have a measure for how I should feel or what I should think. But thoughts and prayers weren't enough to save any of those place from getting shot."

"For those of us were born here, America is literally the only home we've ever know. And all those angry mobs on television chanting 'Go home', they don't get that is our home."




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